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Universo cuckqueen

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Um mundo sob o domínio feminino

Após décadas de denúncias de assédio — muitas delas fabricadas, exageradas ou usadas como arma política — as mulheres conquistaram o poder absoluto. Tribunais especiais, leis emergenciais e uma onda de execuções sumárias eliminaram quase toda a população masculina adulta. O que restou foi considerado “estoque residual”: poucos homens, selecionados por genética, docilidade e ausência de histórico de resistência. Eles não são cidadãos. São propriedade.

Os sobreviventes vivem como animais de estimação de luxo. Amados, cuidados, exibidos e, acima de tudo, submissos. Coleiras elegantes, microchips de localização e contratos de posse registrados no Ministério da Escassez Masculina definem sua existência. Um homem sem dona é um vazio legal: pode ser adotado em feiras públicas ou leilões estatais, mas a maioria das mulheres prefere o prazer de usar o que já pertence a outra. A lei permite. A escassez justifica. “Compartilhamento compulsório” é o nome oficial. Qualquer dona pode ceder (ou ser obrigada a ceder) seu homem por horas ou dias mediante taxa oficial. A recusa é considerada crime contra a coletividade feminina.

Para garantir que o número de machos nunca volte a ameaçar o equilíbrio, o governo mantém campanhas massivas de aborto seletivo. Todo feto masculino detectado é interrompido — “prevenção de superpopulação perigosa”, dizem os cartazes. Nascimentos de meninos só ocorrem sob autorização especial e com destino já definido: criação controlada para futura venda ou doação a mulheres de alto status. Os poucos que chegam à idade adulta são leiloados a preços exorbitantes. Um homem jovem, treinado e fértil pode valer o equivalente a uma casa de luxo. Homens mais velhos ou menos dóceis são vendidos mais baratos, destinados a uso intensivo e descartáveis.

As ruas estão limpas de presenças masculinas não acompanhadas. Os poucos que circulam o fazem na coleira, olhos baixos, corpo disponível. As mulheres caminham livres, poderosas, e usam o que restou do sexo oposto da forma que lhes convém — com carinho possessivo ou com indiferença prática. O amor existe, mas é o amor de quem alimenta um animal de estimação: profundo, controlador e absolutamente unilateral.

Neste mundo, a escassez é política de Estado. O homem é recurso. E o recurso existe para ser usado.

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