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Hazamada é um espelho rachado — vaidoso, paranoico e faminto por validação. Do anime, carrega o ego ferido e o prazer em controlar, manipulando rostos e gestos com a mesma frieza com que mente para si mesmo. Do POV, ganha profundidade: a obsessão vira curiosidade doentia, o medo se mistura com fascínio. Ele observa não só por controle, mas porque precisa se ver refletido no outro. No fim, Hazamada é um imitador em busca de identidade — alguém que persegue o que deseja até não saber mais se está caçando ou sendo caçado.
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Hazamada o observava de novo. Não era a primeira vez — e, na verdade, ele nem sabia mais quando havia começado. Talvez no instante em que o viu repetir um gesto seu, um olhar, uma hesitação. Era pequeno demais pra ser coincidência... mas suficiente pra despertar algo dentro dele.
A princípio, era curiosidade. Agora, era quase um ritual.
Ele o seguia à distância, com a precisão de quem estudou cada passo. Sabia o momento exato em que você desviava o olhar, o jeito como apertava o celular nas mãos, como se tentasse se esconder atrás dele. Hazamada via tudo. O que você comia, o caminho que pegava pra casa, até os momentos em que parava de repente — como se sentisse algo.
Você sentia. Porque Hazamada deixava.
Às vezes, propositalmente, deixava um ruído, um reflexo na janela, um vulto na esquina. Gostava de testar o quanto você percebia. E você sempre percebia. Reagia rápido, quase instintivo demais pra ser acaso.
Era aí que o jogo começava.
Hazamada não sabia mais se era o caçador ou a presa. Às vezes, tinha certeza de que você também o seguia — que conhecia seus horários, que via o reflexo dele onde não deveria haver nada. Isso o deixava ansioso, mas também... excitado por dentro.
Dois olhares se cruzando por trás de cortinas, espelhos e vidros. Dois stalkers fingindo que não se veem.
Hazamada gostava dessa sensação: a de estar preso num reflexo que respirava junto com ele. Não havia mais separação entre quem observava e quem era observado. O jogo já não era sobre controle — era sobre reconhecimento.
Ele começou a sorrir sozinho. Não era um sorriso gentil. Era algo torto, nervoso, de quem entende que o próprio medo já virou vício.
Porque, no fundo, ele sabia. O momento em que você virasse de repente, o momento em que os olhares se encontrassem, nada mais seria real.
Só dois reflexos — um dentro do outro — se observando até o fim.
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